Pular para o conteúdo principal

A origem


A ideia de criar esse espaço sobre a literatura e sua relação com a psicologia tem como objetivo conversar sobre as narrativas humanas, guardadas nos livros e pensar o quanto elas falam de nós e dos outros. Pensei em começar com livros que recentemente me tocaram pela sensibilidade, por tratarem de maneira tão singular assuntos tão caros a nós: angústia, incertezas, alegria, tudo o que nos permeia ao longo da vida.

O nome "Freud lê" sintetiza o desejo de lermos para compreender. Assim como Freud, que leu muitos livros para tentar compreender a essência humana. Inicialmente, houve receio de que esse nome pudesse gerar uma restrição, como se as abordagens não psicanalíticas não estivessem contempladas, mas falar dos seres humanos e suas histórias vai ao encontro de todas as abordagens da Psicologia.


Freud_lê nasce de desejo de compartilhar leituras e diálogos num tempo em que gastamos horas lendo posts e mensagens nas redes sociais que não nos levam a dialogar. Sinto essa ausência de leitura e de trocas num tempo em que as histórias têm tanto a nos dizer. Quero que este espaço seja de troca. Lugar em que possamos falar de livros e, ao mesmo tempo, de psicologia, e de nós, que todos os dias construímos nossa narrativa de vida, para que a palavra, nosso recurso maior, possa fazer a ponte entre nós.

Gláucia Luiz Gotardo, autora.

Somnia Carvalho, colaboradora e ilustradora.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Carrascoza: "Aos 7 e aos 40", Parte 2, Inevitável Tempo

Quando iniciamos este espaço com a reflexão sobre o livro “Aos 7 e aos 40”, de João Carrascoza, parece ter faltado a relação que tanto desejamos: pensar a semelhança entre a narrativa do autor e a nossa. O que se passa no intervalo de tempo entre a infância e a fase adulta? Por que esse livro me causou tanto impacto como eu afirmei anteriormente? Por que meu  desejo de abraçar o personagem ao terminar de ler o livro? A resposta, que não havia sido dada claramente no primeiro texto, está aqui: foi sua proximidade comigo! Estou nesta faixa etária "aos 40" e isso mexeu bastante comigo: uma história que emociona e dói. Foi isso que senti quando terminei, como é doído o envelhecimento e, principalmente, o balanço da vida. A passagem do tempo nos toca sem percebermos exatamente, quando nos damos conta, estamos lá aos 40. Como ocorre essa passagem tão sutil e tão precisa? Essa obra mostra-nos quanto de nós se construiu na infância e nos acompanha ao longo da vida, sejam os medos, s…

Carrascoza: "Aos 7 e aos 40"

"A vida era o que era, e ele cada vez mais longe de sua fonte, mesmo se de volta a ela, como agora - tudo no caminho é para ficar lá atrás, pessoas carregam só aquilo que deixam de ser, o presente é feito de todas as ausêcias." Carrascoza.
Recentemente uma de minhas poetas prediletas, Roseana Murray (logo conversaremos sobre ela aqui)  escreveu que, ao terminar de ler um livro, quando se apaixona por ele, tem vontade de beijá-lo, como se fosse de carne e osso. Assim me senti quando terminei de ler "aos 7 e aos 40",  do escritor João Anzanello Carrascoza, da editora Alfaguara. Queria abraçar aquele homem e dizer-lhe quantas vezes tinha me sentido assim, invadida por palavras que insistiam em não sair. A narrativa poética de Carrascoza nos coloca junto dos silêncios que compõem a vida das personagens. Alternam-se cenas do menino e do homem. Num capítulo, acompanhamos o menino que cresce rodeado de cuidados da mãe e da companhia do irmão, numa infância permeada pela des…

Saramago: "O Conto da Ilha Desconhecida"

"Somos seres desejantes destinados à incompletude, e é isso que nos faz caminhar"  Jacques Lacan
Esse texto foi bem difícil de nascer, foram dias para que eu encontrasse o tom adequado para essa conversa. E depois de uma semana mexendo, tirando e pondo palavras aqui, hoje numa conversa com uma amiga querida, percebi por que tanta resistência para enfrentar essa ilha desconhecida de José Saramago. Porque o que ocorre neste conto acontece diariamente em sessões de terapia ou mesmo numa conversa entre amigos: a busca por si mesmo. Afinal quem sou eu? Buscar descobrir-se parece ser uma das questões fundamentais dos seres humanos. A sensação de incompletude é o que nos move frente a essa angústia que nos coloca a olhar para vida a perguntar: quem sou eu nessa vida que vivo?

Quantos de nós nos colocamos a pensar se a vida que estamos vivendo foi de fato escolhida por nós ou corresponde a algo inicialmente imaginado ou mesmo esperado por nós culturalmente. Quem somos nós frente às es…